quarta-feira, 8 de abril de 2020

Âmbar

          Nasceu a partir da areia, forjada no fogo por hábeis e exploradas mãos. O processo todo não levara mias que alguns minutos, indolor e totalmente insípido por parte de seu criador. Completamente diferente do que levaria em seu interior.
          É... a infância passa rápido, quando menos se deu conta estava pronta. A bordo do Transporte sentia a trepidação causada pelas irregularidades do asfalto, ali ao longo do caminho que selaria o seu propósito. Propósito que muitos falham e se martirizam para descobrir na busca de uma realização ou sentido que é unicamente individual.
          Bem, logo foi preenchida com a líquida e borbulhante alegria, impuseram que seu objetivo era a partir dali inebriar. Trazer conforto e fugaz felicidade para quem a procurasse, assim como compreensão para as mágoas dos infelizes. Agora depois das viagens, rótulos, e limites que recebera estava ali na mesa do boteco de beira de estrada. Escolhida para satisfazer um desconhecido qualquer, viera depois de tantas outras iguais a ela. Tão insignificante que nem se importou quando ao se levantar da mesa fez com que caísse e se espatifasse.
         Pronto! Ali chegara ao fim. Esperava que depois de sorvida teriam o respeito de retorná-la a fim de uma nova carga de emoções líquidas. Frustrada fora descartada, varrida, em mil pedaços âmbar reluzindo ao quente sol das treze horas no acostamento que divisava a ignóbil espelunca para qual fora varrida. Imaginou ser o fim, mas mal tinha ideia que permaneceria ali naquele estado por pelo menos mais quatro mil anos.

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