Trilha da tinta
quarta-feira, 13 de maio de 2020
O velho
Quase no topo da avenida próximo a antiga catedral ficava a porta no corredor. Do lado da loja de salgados e festas separada por uma pequena mureta de pedras bem polidas, pintada com tinta marrom escura, feita de alumínio. Ali de onde saia - talvez de sua casa- o curioso senhor, com o tórax levemente curvado pelos anos. Cabelo ralo parecendo fios de chumaço de algodão, a roupa bem passada ressaltava o ar de mistério, quer dizer ao menos era a tentativa, notava-se um amassado aqui e outro ali. Sentava na mureta e oferecia doces além de uma conversa recheada de boas histórias narradas por sua voz levemente rouca mas ainda bastante vigorosa, nunca soube seu nome.
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Âmbar
Nasceu a partir da areia, forjada no fogo por hábeis e exploradas mãos. O processo todo não levara mias que alguns minutos, indolor e totalmente insípido por parte de seu criador. Completamente diferente do que levaria em seu interior.
É... a infância passa rápido, quando menos se deu conta estava pronta. A bordo do Transporte sentia a trepidação causada pelas irregularidades do asfalto, ali ao longo do caminho que selaria o seu propósito. Propósito que muitos falham e se martirizam para descobrir na busca de uma realização ou sentido que é unicamente individual.
Bem, logo foi preenchida com a líquida e borbulhante alegria, impuseram que seu objetivo era a partir dali inebriar. Trazer conforto e fugaz felicidade para quem a procurasse, assim como compreensão para as mágoas dos infelizes. Agora depois das viagens, rótulos, e limites que recebera estava ali na mesa do boteco de beira de estrada. Escolhida para satisfazer um desconhecido qualquer, viera depois de tantas outras iguais a ela. Tão insignificante que nem se importou quando ao se levantar da mesa fez com que caísse e se espatifasse.
Pronto! Ali chegara ao fim. Esperava que depois de sorvida teriam o respeito de retorná-la a fim de uma nova carga de emoções líquidas. Frustrada fora descartada, varrida, em mil pedaços âmbar reluzindo ao quente sol das treze horas no acostamento que divisava a ignóbil espelunca para qual fora varrida. Imaginou ser o fim, mas mal tinha ideia que permaneceria ali naquele estado por pelo menos mais quatro mil anos.
É... a infância passa rápido, quando menos se deu conta estava pronta. A bordo do Transporte sentia a trepidação causada pelas irregularidades do asfalto, ali ao longo do caminho que selaria o seu propósito. Propósito que muitos falham e se martirizam para descobrir na busca de uma realização ou sentido que é unicamente individual.
Bem, logo foi preenchida com a líquida e borbulhante alegria, impuseram que seu objetivo era a partir dali inebriar. Trazer conforto e fugaz felicidade para quem a procurasse, assim como compreensão para as mágoas dos infelizes. Agora depois das viagens, rótulos, e limites que recebera estava ali na mesa do boteco de beira de estrada. Escolhida para satisfazer um desconhecido qualquer, viera depois de tantas outras iguais a ela. Tão insignificante que nem se importou quando ao se levantar da mesa fez com que caísse e se espatifasse.
Pronto! Ali chegara ao fim. Esperava que depois de sorvida teriam o respeito de retorná-la a fim de uma nova carga de emoções líquidas. Frustrada fora descartada, varrida, em mil pedaços âmbar reluzindo ao quente sol das treze horas no acostamento que divisava a ignóbil espelunca para qual fora varrida. Imaginou ser o fim, mas mal tinha ideia que permaneceria ali naquele estado por pelo menos mais quatro mil anos.
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